Ateliê Yawa — Tecendo o Presente: Autonomia Produtiva e Fortalecimento Coletivo (2025/2026)
- Equipe Maloca
- 17 de mar.
- 2 min de leitura

Depois do nascimento do Ateliê Yawa em 2022, a partir dos primeiros encontros e oficinas na Aldeia Nova Esperança, e da etapa de estruturação produtiva vivida durante o programa de pré-aceleração do Lab de Impacto, o projeto chega a um novo momento de maturidade. Uma fase marcada pelo aprofundamento da autonomia, pela ampliação da participação das mulheres e pela consolidação de todo o ciclo da cadeia produtiva dentro do território.
Essa terceira etapa tornou-se possível através do edital Teia da Sociobiodiversidade (2025), realizado pelo Fundo Casa Socioambiental com o apoio da Caixa Cultural. O Instituto Guardiões da Floresta — parceiro da iniciativa desde a fundação do Ateliê Yawa — prestou apoio institucional ao projeto, enquanto a Maloca, por meio de seu núcleo de Produção Cultural, contribuiu na elaboração e inscrição da proposta na chamada.
Com o investimento de R$ 100.000, foi possível avançar significativamente na formação e estruturação da iniciativa empreendedora dentro da aldeia. Oficinas de moda, corte, costura, estamparia, gestão e audiovisual foram realizadas na Aldeia Nova Esperança, reunindo mais de 30 mulheres participantes de diferentes faixas etárias. Hoje, a aldeia conta com cerca de 40 famílias, incluindo aproximadamente 35 mulheres adultas, 60 crianças e 22 jovens — um contexto que reforça a importância de iniciativas voltadas à geração de renda e fortalecimento cultural.
Durante as oficinas ministradas pela Maloca Lab, cada mulher foi convidada a desenhar uma peça inspirada em suas próprias referências e visões. Ao final desse processo criativo coletivo, todas participaram de uma votação interna, escolhendo as três propostas que mais representavam o grupo. Dessa forma, nasceu a nova coleção de roupas sustentáveis das mulheres Yawanawá da Aldeia Nova Esperança — uma coleção construída de dentro para fora, refletindo identidade, autonomia e criação compartilhada.
Outro passo fundamental desta etapa foi a organização das participantes em núcleos de atuação, fortalecendo a divisão de responsabilidades e o aprendizado prático ao longo da cadeia produtiva. Foram definidos quatro núcleos principais: corte e costura, estamparia, audiovisual e gestão.
As profissionais convidadas para conduzir as oficinas — Nara Mattos, Priscilla Emigdio e Karine Bakun — permaneceram duas semanas na aldeia, período em que metas previstas foram não apenas alcançadas, mas superadas. Um dos momentos mais simbólicos foi o interesse espontâneo das mulheres em iniciar a costura utilizando uma máquina de pedal pertencente à anciã Pakayuvá. A partir desse gesto, foi produzida a primeira peça integralmente confeccionada dentro da aldeia: uma calça pantalona em linho, que passou por todas as etapas do processo — modelagem, corte, pintura, costura e comercialização.
Esse acontecimento marcou o grupo, representando não apenas uma conquista técnica, mas também um motivo de orgulho coletivo e a materialização de um desejo antigo: realizar todo o ciclo produtivo dentro do próprio território.
Em síntese, esta etapa foi dedicada ao aprendizado aprofundado, à estruturação dos fluxos de trabalho e à prática integrada da cadeia produtiva da moda sustentável. O projeto segue em execução, e nos próximos meses será lançado um catálogo para que lojas e revendedores possam realizar encomendas, ampliando o alcance do Ateliê Yawa e fortalecendo sua sustentabilidade econômica.
Assim, o Ateliê Yawa continua tecendo seu caminho — entre tradição e inovação, floresta e mercado, memória e futuro.













































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